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Passat TS de 400 cavalos é usado todos os dias com motor fechado há 10 anos

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O Passat marrom alinha no pinheirinho, primeiro acende o pré-stage, esperando seu adversário alinhar, acendem-se as luzes do stage, o batimento cardíaco sobe junto com o giro do motor, as três luzes do pinheirinho descem em sequência, o carro larga: 1ª marcha; a embreagem multidisco gruda sem dó, fazendo os pneus R888 gritarem; 2ª marcha; o corpo de Flavio é empurrado contra o banco com o torque do AP turbo; a temida  3ª marcha entra sem esforço, devido a alavanca de câmbio de curso curto; o shift acende indicando o limite de RPM  e o fim da puxada. Passaram 8 segundos e meio da vida de Flavio Gomes, ao terminar a sétima e última puxada do dia, na pista do ECPA, em Piracicaba/SP.

Com a palavra, o dono do referido: “O Passat tem que ir e voltar rodando, montei o carro para andar e é o único carro que eu tenho, já fui com a minha namorada para São Paulo debaixo de chuva para participar do Racha em Interlagos. Fomos e voltamos rodando, com direito a vidros embaçados e trânsito pesado para chegar na pista. Eu ando com esse carro  todo santo dia, e isso acaba me impedindo de extrair mais potência”, explica Flavio.

Vamos do começo: por volta do ano 2000, Flavio frequentava o autódromo de Interlagos, mas  a grana era curta e a vontade era muita. Ele se espremia para entrar no porta malas de um Mitsubishi Eclipse  para conseguir entrar nos boxes. Sempre que o famoso Opala do Favela descia para fazer o burnout, o garoto franzino ia ao delírio, e gravou aquilo em sua mente .

Antes mesmo de fazer 18 anos já comprou uma Caravan seis cilindros ano 76, e ficava andando pelas ruas de Itu sem carta, sem documento e sem juízo, cada saída de farol era tentativa de burnout. Depois, teve a idéia de montar um Chevette AP Turbo, o carro também era do ano 76  e foi comprado junto com um motor VW AP forjado. Os amigos, já prevendo a tragédia anunciada, o aconselharam a montar um carro tração dianteira. Flavio então começou a procura por um VW Gol quadrado, e foi avisado por um amigo que existia um Passat Marron com uma faixa amarela sendo vendido na cidade de Flavio. Ao encontrar o carro, outra surpresa: o dono anterior morava  três ruas acima da sua casa, sendo que seu irmão já tinha tentado comprar o carro anteriormente, mas sem sucesso. Na mesma noite os irmãos arremataram o Passat TS 76 em sociedade, e posteriormente Flavio comprou a parte do irmão.

A idéia inicial era instalar o motor forjado e montar um kit turbo, utilizando um carburador Weber 40. Em 2003 o carro foi enviado para a capital paulista na Akio Racing. O bloco baixo recebeu um virabrequim Standard com 86,3mm de curso, já os pistões forjados Iasa com 83,5mm de diâmetro, totalizado 1893cc de cilindrada. As bielas também forjadas, são da marca Saenz, com 144 mm de comprimento. O cabeçote foi revisado pela Retiforte e usa válvulas de 40 mm na admissão e 35 mm no escape. A junta de cabeçote foi substituída por O’rings Sapinho e o comando de válvulas é o Samcams  350T 296°X296° com 113° de lobe center, 12,7mm de levante e com overlap de 28°. Esse comando deixa o motor bem “sujo” em baixas rotações e alguns preparadores optam por um comando mais limpo.  Flavio diz: “ Às vezes é gostoso ter um comando bravo, não é qualquer um que consegue sair com o carro”.

Esse motor tem quase dez anos de uso e nunca quebrou, a manutenção mais pesada foi a troca de bronzinas. Durante sua estadia em São Paulo, a tecnologia deu um passo enorme. Não tendo outra opção, o Chevette foi vendido e se transformou em peças para o Passat.

A injeção eletrônica escolhida foi a Pandoo EFI-4, responsável por controlar o sistema de injeção de combustível e ignição eletrônica. O módulo de ignição MSD 6AL digital trabalha com uma bobina MSD Blaster SS e com cabos MSD de 8,8mm. Os injetores de combustível foram trocados recentemente: são quatro injetores Ford Racing com 160lbs de vazão. (Sabiam que existem no mercado injetores Ford Racing com 150 lbs? A diferença é que os de 150 lbs vem com a parte de plástico da cor azul e os 160 libras na cor branco/bege. Valeu Ancona, pela dica). Os injetores são de baixa impedância e é necessário a utilização do Peak and Hold  Pandoo 4A/1A. As duas bombas de combustível são de Mercedes, ligadas ao Catch Tank.

A turbina fica localizada na cara do gol, na verdade, ela fica localizada no farol do Passat, depois de muito trabalho da MS Racing para posicionar o coletor tubular no local exato. A turbina Holset HX-40 tem as seguintes medidas: rotor frio com 60 mm de diâmetro; eixo quente 64 mm e caixa quente pulsativa A/R .84. A válvula de alivio é fabricada pela SPA Turbo;  a válvula de prioridade é uma blow-off replica da  Tial, e o kit da Supercooler posiciona o intercooler na frente do radiador.

 

Para aguentar todo esse uso severo, o sistema de transmissão não poderia falhar. As engrenagens de 1ª a 4ª marcha são Cavalo de Troia, assim como o blocante pastilhado. O carro usa pontas de eixo do Santana 2.0; a embreagem multidisco é fabricada pela Ceramic Power  e a alavanca de câmbio é obra da AG.

Todo grande carro merece alguns cuidados estéticos: os bancos concha  e cinto de quatro pontos são San Marino, os manômetros são Cronomac e Shift Light da ODG. O volante é Lotse Maxx Competition, que lembra o original do TS.  Flavio é proprietário da loja de rodas e pneus Profilm e acertou na mosca com a escolha das BBS aro 15, que casaram muito bem com o carro. Os pneus dianteiros são Toyo R888 195/50  e traseiros são Sunny 195/50.

Mas todo esse processo descrito levou seis meses para ser concluído. Durante este tempo, Flavio ficou sem ver o carro, e quando encontrou-o novamente, foi quase como receber um presente:  a vontade de acelerar era tanta que em apenas uma noite, na pista de Saltinho, interior de São Paulo, foram quatorze puxadas.

Atualmente o carro é preparado por Anderson “Gordinho”, da Racemotors de Campinas.  É o mesmo preparador da VW Saveiro que chegou a 297 km/h no GPS.  Anderson escolheu utilizar 1,5 bar de pressão de turbo, totalizando 386 cavalos na roda.

Perguntado quais serão os próximos upgrades,  Flavio é taxativo “O carro precisa de uma nova suspensão, quem sabe talvez um pouco de chumbo, teremos que testar, mas uma coisa eu não abro mão:  de ir curtindo a viagem dentro do Passat”, finaliza o feliz proprietário do Passat TS.

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