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Maverick Aspirado – Traseira Original #308

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FORD!

Em meio às dezenas de berros dos GM 6 cilindros um urro do V8 Ford aspirado bom de briga

Texto e fotos: Sidney Filho

Sempre vai haver a eterna concorrência entre seis em linha e V8, pode ser qualquer carroceria, Dodge ou  Ford, mas o Maverick… Ah, o Maverick! Esse é o alvo preferido dos comentários e piadinhas aqui no Brasil. Em meio a tantos Opalas, o #308 da Traseira Original pilotado por Alexandre Kroeff, tem retribuído as piadinhas com tempos cada vez mais baixos na pista.

Entrar nos boxes da equipe é entrar em outra dimensão, o foco é o carro, preocupação com os mínimos detalhes para fazer bonito na pista. Alexandre Kroeff, embora muito receptivo é um cara discreto, estilo atirador de elite, ninguém o vê, quando é notado já fez o seu papel.

O carro foi recordista durante anos no Velopark e segue firme na briga, durante a última etapa ocorrida em Setembro, foi o carro mais rápido da categoria, a sua melhor passada foi 10s202 com: 60pés de 1s597, 100m 4s292, 201m 6s571 e 300m 8s488. “Na minha opinião, o regulamento está equilibrado e as baterias são definidas na maioria das vezes na reação do piloto. Só daria a sugestão do peso ser diminuído para todos, pois todos os carros utilizam lastros para estarem dentro do regulamento, com menos peso, teríamos menos quebra de transmissão e tempos mais baixos”. Comenta Kroeff.

Com o foco em fazer um carro rápido, porém dentro de um limite de orçamento, Alexandre contou com a participação de grandes parceiros no projeto. Além de piloto, Kroeff tem uma empresa de balanceamento de motores V8 e desde a década de 90 está envolvido com motores grandes. “Faço tudo em casa, e quando preciso tenho parceiros a minha volta. Como é o caso do meu sogro Ênio Hüther, mestre em transmissão. Eu, meu sogro e meu cunhado Vinícius fizemos a primeira montagem do carro.

A SmartTech, é uma empresa que fabricou todas as peças fora de catálogo do carro, como reforço do 302 para poder mantê-lo vivo após cada prova e o engenheiro da equipe, Gustavo Minella é quem ajuda na definição das peças e no desenvolvimento do carro”, relembra o piloto.

O bloco original 302 recebeu pistões Icon com dome e bielas Probe 5.4” e vira forjado Scat de 3.4” com parafusos de mancal ARP, uma bomba de óleo de alto volume Melling lubrifica o conjunto. O volante do motor foi fabricado em aço pela SpartTech. A vedação do motor/cabeçote é feita por uma junta Cometic e o conjunto trabalha com 13:1 queimando metanol puro.

O cabeçote de ferro foi trabalhado pela própria equipe e possui válvulas de 2.02/1.60”, os balanceiros são Harland Sharp, varetas Comp Cams, comando roller Comp Cams, molas Doug Herbert e Tuchos Lunati. O coletor de admissão e escape foram produzidos no Brasil pela empresa gaúcha Sprint.

Na alimentação, dois corpos de borboleta de 90mm, oito bicos injetores de 80lbs/h alimentam o conjunto e são controlados por uma FT300 que também controla a ignição. A parte de acerto eletrônico fica sob responsabilidade da HG Motores, do renomado e competente Hilário Gonçalves. A ignição controlada por roda fônica utiliza duas bobinas do Vectra e cabos de vela MSD.

A transmissão usa um câmbio Clark com engrenagens Recuperg de 1ª a 4ª com engate rápido, embreagem Embremax e diferencial Dana 44 com blocante Spool com pontas de eixo originais.

Para tracionar os 530cv na roda com pneus 235/60 R15, um ajuste fino da suspensão leader bar Caltracs fazem pular constantes 1s5 nos primeiros 18m.

O carro já ganhou alguns Opens e Bracket Racing no VP. Em 2010 foi campeão do Campeonato Desafio além do recorde na TO que ficou nas mãos do 308 por um bom tempo. Este ano o foco está voltado para o Campeonato VP Series e para faturar o campeonato, tem a responsabilidade de ganhar a última etapa.

O carro ainda tem muito potencial para ser explorado. Como em 2015 o único campeonato escolhido por Alexandre foi  o Velopark, o desenvolvimento do conjunto está sendo apenas nas corridas, que totalizarão quatro etapas em Novembro. “Acredito que este motor tenha potencial para chegar aos 10s0 ou até 9s9. E vamos continuar trabalhando pra isso. Fizemos muitas modificações este ano e só na terceira etapa conseguimos chegar aonde era o esperado do carro, virando constante na casa dos 10s2.

Falta agora conseguir colocar no chão toda a cavalaria. Fizemos uma reunião com todos os pilotos e a maioria aprovou a permanência do regulamento como está. E 2016 será uma temporada ainda melhor para a TO. O equilíbrio favorece o desenvolvimento de todos.” Finaliza o piloto Alexandre Koreff.

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