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Gol BX 2.0

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Mixer Master 2000

Batedeira é a mãe! Design retrô, aliado a alta performance no Mixer Master 2000

É quase impossível imaginar uma combinação de Gol quadrado que ainda consiga se manter exclusiva. Gol com rodas BBS, Weld Pro Star, Weld Magnum, rodas da linha VW, como a do Gol Rallye, Parati Surf e Track&Field… Você bate o olho e imagina: ” já vi isso em algum lugar.” Isso não significa que não represente bom gosto ou desqualifique o visual do carro, muito pelo contrário. Os quadradinhos são ícones em todo o Brasil, mas fala aí: este BX da reportagem é de tirar o fôlego, não é?

O visual é matador! Olhar um carro desses e toda a sua simplicidade é como um tapa na cara. Logo surge na consciência a famosa frase: “Como não pensei nisso antes?” O modelo é pouco explorado pelos entusiastas da marca, ainda mais quando exige adaptações mecânicas e quando se quer um pouco mais de performance. Porém, depois de pronto, propostas de venda não faltarão em cada parada no sinal.

A história deste Gol S com seu atual proprietário, Eber Vieira, começa mais ou menos assim. Só que ao invés do sinal, Eber o encontrou em um dia qualquer, enquanto navegava nos classificados do site Dragsterbrasil.com. “No mesmo instante passei a mão no telefone e liguei para o antigo dono. Em menos de uma hora o carro já era meu. O que mais me chamou a atenção foi o estado de conservação do carro. Hoje em dia é muito difícil encontrar um Gol, ainda mais deste ano tão intacto”. Comenta Eber.

Além da parte estética, o Gol se destaca nas ruas de Indaiatuba/SP, por rodar com motor AP 2.0 de 168cv, 126cv a mais do antigo propulsor de 1.3L refrigerado a ar de 42cv que equipava os Gols BX da época.

Para a adaptação do motor AP no BX, existem duas possibilidades: alguns optam por trocar as longarias dianteiras e colocar os suportes dos coxins de motor e câmbio. Outros optam por adaptar os suportes e coxins de motor e câmbio no próprio quadro da suspensão do BX.

Este carro foi preparado na JR Preparações sem muitos segredos. Todo o conjunto móvel é original. Virabrequim 2.0, bielas de 144mm balanceadas, pistões Mahle de 83,5mm vedados com anéis Cofap. O volante utilizado é do Gol MI, aliviado e balanceado, que originalmente já é mais leve do que o do Gol carburado.

O cabeçote foi preparado pela própria JR e agora trabalha com 14,0:1 de taxa de compressão, válvulas de Inox com 40mm na admissão e 35 no escape com comando Samcams de 284×284 de duração cheia. Os tuchos mecânicos com pastilhas por baixo. Em alguns casos de alto desempenho, onde se requer um perfil do comando diferenciado, pode acontecer que este tenha a característica de possuir o ponto mais afastado de contato maior que o diâmetro da pastilha. Pontualmente se faz necessário substituir a pastilha (diâmetro de 30 mm) para o tucho sem pastilha (35 mm de diâmetro) aproveitando assim todo o diâmetro nominal do mesmo. Uma solução é pegar tucho hidráulico sem o miolo e as pastilhas colocadas por baixo transformando-o num tucho mecânico. Esta é uma solução prática e barata, a regulagem fica um pouco mais difícil, porém não se corre o risco do comando “cuspir” a pastilha, muito comum em casos onde o perfil possui um ponto de contato incompatível com o tucho ou pastilha usado.

A alimentação é feita por injeção eletrônica. O coletor original do MI foi invertido para frente, além de facilitar a captação de ar mais frio, na carroceria do Gol quadrado a bateria fica muito próximo ao corpo de borboleta e interfere na adaptação de filtro ou até mesmo um corpo de borboleta maior, como o usado neste carro, herdado do Omega 4.1 com 67mm. Os bicos injetores são de 55lbs/h da PAP Injetores e o módulo de gerenciamento é Fueltech RacePro1Fi. O distribuidor é original e a bobina do MI trabalha em conjunto com o módulo de ignição MSD 6AL. O módulo amplifica as centelhas das velas NGK PB9R, resultando na queima perfeita da mistura. O coletor de escape 4×1 é em aço carbono com tubos de 48mm de diâmetro. O escapamento é de 2,5 polegadas com 2 abafadores.

O câmbio original de cinco marchas trabalha com blocante de mola e embreagem Displatô, com disco de seis pastilhas e platô de 900lbs.

É o típico carro de rua gostoso de andar! Tem força e torque de baixa, sem risco de quebras, e garante emoção na cidade e na estrada. É o famoso “Kit Menino Feliz” dos aspirados. A receita é tão boa que há 10 anos equipavam carros de arrancada.

O que é diferente deste motor para um carro da categoria Standard da época, é a injeção eletrônica, já que antes os bólidos utilizavam carburador, muitas vezes a Solex H34, além da cilindrada, que passava de 2000 para 2100 com pistões de Monza 84mm e um comando mais bravo.

 

O dono do carro comenta que onde chega com o Gol S 1983 recebe ofertas e propostas de venda mas que até o momento nenhuma ainda o convenceu a desfazer da relíquia. Será que Eber teria coragem de passar adiante uma pérola dessas? Eu, particularmente, não teria.

Curiosidade:
Criado em 1980 com visual mais esportivo do que já existia na linha de montagem da VW, o Gol chegou nas concessionárias do Brasil equipado com o motore refrigerado a ar de 1.3L de 42cv, um choque de realidade para quem apresentava um visual mais agressivo, com um rendimento desanimador. O carro fazia de 0-100 em 30 segundos! Para levantar a imagem do Gol BX, a VW lança em 1981 o Gol equipado com motor 1.6 também VW a ar, agora com 56cv e dupla carburação, com velocidade máxima de 140km/h. Um grande avanço para o “Chaleira” que acabou substituindo a Brasília a partir deste ano.

Ficha técnica:

Piloto/Preparador: Eber Batista Vieira / JR Preparações (19)7810.0691
Veiculo: Volkswagen GOL S
Motor: bloco baixo VW, virabrequim VW 92,8 mm aliviado e balanceado, bielas originais retrabalhadas, pistões Mahle 83,5 mm, anéis Cofap, bomba de óleo retrabalhada, volante do motor 2.0 Mi aliviado balanceado, parafusos de biela ARP 2000, comando de Samcams 284°X 284°, válvulas de cabeçote  Inox 40 mm adm 35mm esc , taxa de compressão 14:1
Sistema de admissão/escapamento: coletor de admissão original VW com entrada invertida,corpo de borboleta GM Omega, coletor de escape 4X1 com tubos 48mm,tubo de 2,5” e dois abafadores
Gerenciamento eletrônico: módulo de injeção FuelTech  RacePro 1Fi, módulo de ignição MSD 6AL, 4 injetores PAP 55 lb/h, bomba de combustível Mercedes 12 Bar, dosador Hpi , velas NGKBP9R, bobina Gol, cabos MSD 8mm
Sistema de transmissão:câmbio original reescalonado, blocante por molas, embreagem platô 900 lb Displatô, disco de seis pastilhas com molas Displatô , diferencial 4,11,
Suspensão dianteira e traseira: By CR suspensões
Rodas dianteiras e traseiras: Orbital aro 16
Pneus dianteiros e traseiros: 195/45 R16
Instrumentos: leitor de sonda banda larga com datalogger  Fueltech WB-O2

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