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Chevette C20XE TURBO

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NA PRESSÃO

A meta é 8s e a pressão 4,5bar

Fotos eTexto: Sidney Filho

 

Nada melhor que uma novidade para nos impulsionar, superar nossos limites e alcançar novos patamares. Este Chevette retrata bem isso, uma equipe e um piloto disposto a buscar o lugar mais alto do pódio através da própria evolução, corrida após corrida na base da pressão a bordo do Traseira Turbo #3657.

O carro surgiu de coincidências sem grandes pretensões nas dependências da equipe Injetech Motorsport. Até então o piloto competia na Turbo-B e a equipe especializada em motores VW/AP, tanto turbo como aspirados. As ideias surgiram entre Álvaro Júnior, o piloto e o preparador Wellington Barranco, o Valentim, que buscaram primeiramente alguns Opalas até que este Chevette surgiu e foi arrematado. Neste momento existia a carroceria, a turbina e muitas dúvidas até o projeto tomar forma.

Analisando peso, potência e demais itens do regulamento, o motor C20XE foi definido como o propulsor que faria o carro se destacar no cenário nacional. A mecânica é robusta, suporta altas cavalarias e equipa importantes carros da arrancada como os dois Extreme 10,5 mais rápidos do Brasil, o Chevette de Rafael Antonetti e o Cobalt de Cacá Daud, além do Astra DT-A #300 pilotado por Juninho Menegatti.

O projeto levou um ano e meio para entrar na pista, neste meio tempo foram dias de muito trabalho, algumas discussões, mas tudo saiu conforme o esperado. Além da montagem e acabamento com total capricho, o carro foi intensamente estudado e estruturado. A gaiola de proteção e a suspensão Ladder bar na traseira foi desenvolvida pela Nesi Power em Maringá/PR, a montagem do motor, instalação elétrica e acabamento teve dedicação exclusiva de Wellington e o acerto ficou por conta de Alessandro Barranco, o Picão.

No motor de 2.0L, pistões Iasa de 86,5mm e bielas Saenz 300M, o virabrequim é original. O motor gira 9000RPM e trabalha com uma bomba de óleo externa Moroso de três estágios. O lubrificante utilizado é um Mobil 4T e são 7L para todo o sistema. O volante do motor é em aço.

O cabeçote foi desenvolvido pela Stumpf Preparações, e usa válvulas de iconel, o comando de válvulas também foi desenvolvido pela Stumpf. O conjunto trabalha com 9:1 de taxa de compressão, queimando metanol com 5% de nitrometano, que ajuda a acender o Turbo Garrett GTX 4508, a vedação é feita por junta mais o’ring.

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Todo gerenciamento do motor é feito pela FT500, o módulo controla a injeção em modo sequencial os oito bicos Siemens Deka de 225lbs/h. A ignição é formada por 4 bobinas do Marea 2.4, a pressão do turbo é controlado por um Boost Controller e o Gear Controller permite a troca de marchas sem o uso da embreagem, cortando a ignição quando acionada a alavanca.

O coletor de escape em Inox é uma obra de arte, desenvolvido pela Shalom Escapes Especiais, e possui duas saídas para wastegate TiAL. O turbo GTX 4508 manda pressão de 4,5bar pra dentro. A admissão é um plenum by Nesi Power com icecooler. As saídas de escape das wastegate e do turbo também foram construídas pela Nesi.

A transmissão é composta por um câmbio G-Force de 5 marchas, embreagem Clutch Masters e diferencial Dana 44 a alavanca em H acompanha o câmbio.

DSC_9175 copyA suspensão traseira do tipo Ladder bar, trabalha com amortecedores QA1 com regulagens. Segundo Ricardo Nesi, da Nesi Power: “Todo o trabalho foi intensamente estudado e executado dentro da nossa empresa, com a supervisão da Injetech. Por se tratar de um projeto único todas as peças foram feitas sob medida e os resultados já estão aparecendo. Agora é só trabalhar para encontrar o melhor setup e estampar o temporal”, comenta.

 

A equipe sabe que a responsabilidade é grande, a disputa na categoria é acirrada e na TT, literalmente quem pode mais chora menos, não tem nenhum aventureiro, é nitrometano e pressão de gente grande. A primeira aparição do carro foi na etapa de abertura do Campeonato Força Livre em Curitiba. As parciais foram 60ft: 1s490, 100m: 4s056, 201m: 6s067, 300m: 7s834, 402m: 9s389. Analisando o logger da puxada, até os 280m o carro estava perfeito, daí pra frente um bico injetor escapou da flauta e a puxada foi abortada. Resultado muito animador, já que nestas primeiras corridas, tudo é progressivo, ainda tem muitos recursos a serem explorados.

Depois de Curitiba, o carro andou em Maringá/PR e as parciais foram as mesmas, pulando todas de 1s4, 4s0, porém um problema na ignição atrapalhava a aceleração final. Mesmo não conseguindo acelerar completamente os 201m, a satisfação era visível em toda a equipe. Pois alimentação e tração estão a ponto de bala e todos confiam muito no potencial do carro. Após cada puxada, o piloto Álvaro Júnior, cumprimentava cada integrante da equipe, com gratidão e um sorriso de orelha a orelha. Durante a entrevista, quando perguntado qual seria a emoção de pilotar um TT ele foi enfático: “Ah, é muito bom! O carro vai reto, forte e o motor crescendo, vai ser difícil eu voltar a andar de tração dianteira”.

A próxima aparição nos 402m a meta é entrar na casa dos 8s. O problema na flauta foi resolvido, e a ignição também, agora é cair na pista e chegar botando pressão.

 

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