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Chevette Blower

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Não, espera!

Este Chevette 1973 também vai pegar você de surpresa

 

Cá estou eu, andando pelo Curitiba Motorshow, entre um carro e outro, surge um Chevette, daqueles que impressiona pelo visual, com um ar esportivo, um carro simpático. De capô aberto, aquela olhada ligeira, nada tão assustador, mas que desperta curiosidade.

Do lado direito um 4×1, envolto com uma fita térmica, nada de anormal, um cofre limpo, sem fios pendurados, dando a volta no carro e ao olhar o lado esquerdo, a surpresa. Um blower, contendo toda a maldade de um verdadeiro sleeper.

Se a expressão Sleeper é nova pra você, ela simboliza aquele carro que a primeira vista você não dá nada pra ele, você acelera e leva o maior pau da sua vida e ainda vira amigo do dono do carro só pra saber o que ele tem embaixo do capô. Quem nunca?

chevette-1Mas enfim, voltando ao Chevette. Você olha e pensa, caraca, que loucura não? Pois bem, além do blower, ele também recebeu cabeçote do Omega 2.0 e injeção eletrônica. Um conjunto equilibrado, que faz a fila nas ruas de Erechim/RS.

O pequeno notável pertence a Flavio Demoliner está em suas mãos desde 2007 e passou por extensa restauração, onde além de um motor mais apimentado, seguiu no visual o estilo dos europeus Opel Kadett C e vamos concordar, a combinação ficou animal!

O motor foi montando em um bloco 1.6S de 1992, com pistões forjados de 85,5mm em bielas e virabrequim originais. O cabeçote do Omega 2.0L caiu como uma luva. Com simples adaptações do sistema de lubrificação entre bloco e cabeçote, o motor 1.6 ganhava um sistema mais eficiente. Ainda sobre o cabeçote, foram os tuchos hidráulicos foram substituídos por mecânicos Sam Cams além da equalização dos dutos e nova taxa de compressão, ficando agora com 12,5:1, queimando etanol.

O componente que mais causa admiração no cofre é com certeza o compressor. Herdado do Mini Cooper ou Mercedez SLK, é um Eaton M45 com polia para gerar 0,8bar de pressão, acionado por uma correia na polia do virabrequim, polia herdada do Fiat Stilo. A pressurização em alumínio conduz o ar para o coletor de admissão original. O corpo de borboleta da Ranger de 70mm fica na boca do compressor, e é alimentado por quatro bicos de 80lbs/h. Uma bomba de Mercedez (12bar) mantém a pressão de linha e um coletor de escape 4×1 artesanal ScapCar produz um ronco grave. O gerenciamento de todo o sistema é feito por uma FT400 que controla injeção e ignição, trabalhando com duas bobinas duplas do Fiat.

A transmissão foi reforçada com um câmbio Clark e diferencial Dana 26 com blocante de porca 80%. As rodas são JNC de 15×8 na dianteira e traseira e os freios possuem discos originais com pinças de Prisma e cilindro Willwood. No Interior, além dos bancos em couro, painel Opel GT 1970 com odômetro em milhas e conta giros.

Um projeto primoroso e extremamente funcional que dá gosto de ver, ouvir e andar. Ligeiro, o giro sobe rápido! Aliar a injeção eletrônica com um compressor no pequeno Chevrolet transformou o pacato Sedan 1973 em um devorador de retas. Bom gosto na restauração seguindo padrões internacionais da Opel.

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Foto e texto: Sidney Filho

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