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BLACK BULL, o retorno

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Black Bull, o retorno

Após uma saída de cena triunfal, digna das melhores produções Hollywoodianas, renasce o mito!

 

Muito se falou e foi comentado a respeito do inabalável Black Bull após estrelar os principais telejornais do país, torcedores contra e a favor duelavam como gladiadores em milhares de tópicos espalhados pelas redes sociais em todo o país. Volta, não volta, tá preso, tá solto, enfim. O mito voltou! E com força.

Para a alegria de muitos, inclusive dos homens da lei, o Black Bull voltou! E não foi apenas a mecânica que evoluiu. A fera foi solta e dando a volta por cima, muito mais forte e mais arisco, porém domesticado, com autocontrole para aplicar toda a sua selvageria no lugar certo: Na pista!

Mas se acalme, o Black Bull é do bem, a foto da capa só ilustra o novo habitat que a touro irá viver, em meios aos superesportivos, acelerando pra valer. Cada um na sua categoria, vivendo em harmonia com o ambiente. Sem provocações ou deboche, na boa!

Juntamente com a decisão do proprietário de ingressar no hall de pilotos das competições de quilômetro lançado, surgiu a vontade de construir um novo projeto, que se tornasse um novo mito, agora pelos resultados que impressionem também na pista. Isso exigiu um estudo muito aprofundado da Rev It Up, oficina capixaba conhecida internacionalmente pelos motores Honda Série K, que desenhou, projetou e arquitetou cada novo componente para que o retorno fosse perfeito.

 

K23 Supercharger

Para quem ainda não conhece, vou resumir em poucas palavras o padrão Rev It Up. Para eles não existe potência por potência, tudo tem um propósito, uma evolução. A grosso modo falando: os carros da Rev são o Anderson Silva do MMA, que nocauteia e finaliza, mas mantém o semblante tranquilo e simpático. Todos os carros, desde os K20 até os K26 construídos por eles, possuem marcha lenta, dirigibilidade, durabilidade superiores a de qualquer Si original. Assim se fez também com o Black Bull.

O motor foi construído em um bloco de K24, carcaça de cabeçote do K20 e só. O resto foi tudo customizado, TUDO!

O virabrequim billet foi construído e desenvolvido com características únicas, os colos de mancal das bielas foram aumentados e os casquilhos aumentaram de 14mm originais para 20mm. O curso foi diminuído pois os K24 quanto submetidos a pressão e aumento no limite das altas rotações, no caso deste carro mais de 40% acima do original, há um desgaste prematuro do casquilho, obrigando a quem permanece com o curso original a limitar o motor em pressão ou em rotação. Com o novo virabrequim foram construídas novas bielas e novos pistões customizados que resultaram na taxa de compressão de 10,2:1.

[toggle title=”Biela e Virabrequim, clique e leia” state=”close”] Para ter mais segurança com pressão e rotação nos 10.000RPM, as bielas foram reconstruídas, ficando mais largas e trabalhando com casquilhos maiores, aumentou-se de 14 para 20mm

E para se ter um melhor equilibro, o virabrequim billet foi desenvolvido com o curso menor do que o original do K24, além de um novo desenho que favorece alívio de peso e otimização da lubrificação. Colos mais largos também favorecem a performance[/toggle]

O cabeçote do conjunto foi desenvolvido em parceria com a Jaques Motorsport, de Foz do Iguaçu/PR, o resultado foi surpreendente. O casco utilizado foi o do K20, por ser mais eficiente do que o K24, mesmo sendo submetido à preparação.

Como sobre alimentação, um eficiente sistema de compressor Rotrex foi instalado na fera. Este sistema tem sido muito utilizado pela preparadora, por diversos fatores. Maior qualidade e densidade do ar pressurizado devido a ausência de calor, por não ter uma caixa quente como no turbo, mais facilidade de expelir os gases do escape, já que eles correm diretamente para o escape sem ter uma contra pressão quando existe uma caixa quente quando o volume de ar é muito grande, ainda mais em um motor tão girador como este, que responderá até os 10.000RPM rindo.

[toggle title=”O compressor, clique e leia” state=”close”]O compressor Rotrex, tem uma construção que alia performance e avançada engenharia. A rotação acionada pela correia movimenta o conjunto de engrenagens até acionar o eixo. O sistema não trabalha com engrenagens, os rolamentos são friccionados por um óleo de tração especial. O compressor ainda conta com bomba de óleo própria interna. As entradas e saída de olho estão sinalizadas por estes tampões na parte traseira. Ao lado o reservatório de óleo onde é possível verificar o nível do lubrificante. Um radiador também faz parte do conjunto. As duas polias sinalizam duas configurações diferentes, quando menor a polia, maior a pressão gerada pelo compressor, quanto mais RPM do motor, mais RPM na rotor.[/toggle]

Acionado por correia, a pressão máxima gerada pelo soprador é de exatos 0,95bar no pico da rotação e a cada troca de marcha a pressão cai para 0,7bar variando de acordo com o RPM do carro. O número não parece animador para os amantes dos turbinados, onde se tem por teoria, começar a sentir emoção acima dos 2,5bar no caracol. Porém em se tratando de Rev It Up, onde os caras são detalhistas ao extremo, os 950 gramas gerados pelo compressor, permitiram um desenvolvimento maior em todas as áreas do motor, cabeçote, cilindrada, R/L, comando e etc. Sem contar que fazer encher esta pressão em um sistema com esta eficiência, onde o motor naturalmente admite e descarrega muito bem cada cilindro, os 0,95bar é pressão pra caramba! Se o resultado buscado fosse apenas cavalos, seria muito mais fácil instalar um kit turbo e meter pressão pra dentro. Mas por ser o carro que é, um verdadeiro mito, merece uma preparação a sua altura, com exclusividade e desenvolvimento que sua reputação exige.

Com toda essa construção, o carro além de alcançar brutal velocidade, possui uma dirigibilidade não encontrada até nos originais, pois um carro deste nível de recursos e investimento precisa ser usado. Transitando pelas ruas cada vez mais travadas, precisa também garantir satisfação e tranquilidade para rodar diariamente.

O acerto do sistema, alimentado por quatro bicos injetores de resultou em uma média de 7 a 8km/l na estrada abastecendo com álcool. Tá bom ou quer mais?

Para atingir os níveis de velocidade e ser competitivo nos os eventos de quilômetro lançado, o Black Bull recebeu nova relação de câmbio, sendo de 1ª a 4ª marcha com engrenagens forjadas PPG, a 5ª e a 6ª originais Honda, oriundas de outros modelos, a embreagem é uma Clutch Masters duplo disco. Os demais componentes da transmissão permaneceram originais.

Com um conjunto tão desenvolvido e elaborado, dirigir e acelerar a fera é uma experiência única, agora meu amigo… andar na carona é embaçado. Foi a primeira oportunidade que andei em um compressor, sentir a pressão e a potência surgindo gradativos, acompanhando a subida acelerada do RPM, é uma descarga de adrenalina única, diferente das outras experiências que já tive. O carro vem crescendo e não para. Você não se acostuma e o corpo se mantém pressionado contra o banco, tipo um Caça da Força Aérea Brasileira decolando eternamente. O negócio ficou muito louco!

E a pergunta que não quer calar. E aí, quantos cavalos? Pois bem caros leitores, acalmem seus corações, esta informação que com o passar do tempo se tornou tão subjetiva que não foi medida e nem será. A missão é fazer o carro andar rápido, muito rápido. Para não ter aquela enxurrada de comentário e mimimi, que aqui ou ali dá mais ou menos potência. O negócio vai ser acelerar! Os tiros de 800m será o foco principal, mas se falando de Black Bull, tudo pode acontecer.

Motor Black Bull 4

1 Comentário

  1. A vontade que tenho é de comprar um GOL GL 88 e colocar um K24 com toda essa preparação debaixo do capô! Melhor que isso só o Golf MK2 da Boba Motoring! Black Bull, a lenda da Paraíba!

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