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RX7 Turbo

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A bordo do RX7 Turbo
e seus preciosos 420cv na roda!

A gente sempre se surpreende em ver e conhecer algo novo, ainda mais aqui no Brasil, que tem uma base muito sólida nas mecânicas VW AP e Chevrolet Seis Cilindros.

Quando falamos de um motor rotativo então, a conversa fica ainda mais interessante, pois se sabe que o desempenho destes motores é algo assustador, principalmente levando em consideração o tamanho do propulsor em questão.

Nesta matéria tivemos a satisfação de fotografar e andar com Mazda RX7 1993, que pertence a Anderson Dick, fundador  da FuelTech, uma das mais renomadas empresas da Alta Performance e Motorsports do planeta.

Dick, além de um grande engenheiro, é um grande entusiasta e sempre apreciou carros mais pela sua eficiência do que por uma bandeira, podemos assim dizer. Foi um dos primeiros no país a conseguir números interessantes com os motores Chevrolet quatro cilindros C20XE em seu Calibra e agora se aventura com o RX7 de dois rotores e pouco mais de 420cv na roda.

Eu particularmente, sempre tive certa curiosidade em poder andar com o RX7, principalmente pelo mito que se criou em torno deste motor, sempre tendo como principal adjetivo, a eficiência.

O bloco do motor, sua construção é algo primoroso, tão criativo e tão óbvio que chega a dar um nó na cabeça, com questionamentos do tipo: “Por que todo mundo não adere logo a essa construção?”. Mas deixemos esta discussão para uma outra hora, se você ainda não sabe bem como funciona um motor Wankel, deixaremos aqui uma animação para ilustrar melhor.

 

 

Este RX7 utiliza um turbo Borg Warner EFR 8374 com wastegate interna e empurra, 1bar de pressão com um volume sensacional, com uma caixa quente de 0.93 de A/R. São duas velas por rotor, específica para motores rotativos. O combustível utilizado é o etanol com uma mistura de óleo 2 tempos (95% etanol + 5%), o óleo auxilia na vedação dos rotores, trabalhando com a mesma funcionalidade dos anéis dos pistões.

 

Seis injetores são utilizados no total, dois de 80lbs/h e quatro de 225lbs/h. Um módulo de ignição FT Spark é quem detona a mistura, e toda ignição e injeção é controlada por uma FT600.

O câmbio foi substituído por um Tremec, com engrenagens e engates Liberty, o diferencial se manteve original, e a relação 4.10 foi substituída por 4.44. As pontas de eixo são Driveshaft Shop e o cardã é em alumínio.

Até aqui, tudo muito bonito,
mas e na hora de acelerar?

Pois bem, tive duas impressões do carro, a primeira foi uma acelerada de primeira, segunda e terceira, como carona. Cinto afivelado, já pressionando o pé contra o assoalho e tentando manter a postura e a dignidade. Foi uma sensação digamos bem desconfortável, já que o carro utiliza pneus Neova da Yokohama com dimensões de 265/30 R19 na traseira e traciona toda a potência do conjunto, foi muito bom para ver a eficiência do conjunto, o acerto, a retomada e etc. Realmente deu pra ver que tudo funciona muito bem, e sempre procurando ser maduro, centrado e com o olhar sóbrio e corajoso.

Primeira parte, concluída com êxito, descemos do carro, conversamos um pouco a respeito e continuo a sessão de fotos. Nosso estimado Anderson pede licença por alguns minutos enquanto precisaria atender algumas urgências das equipes na área de Box do Velopark (o ensaio foi feito durante uma das etapas do VP Series 2017), deixa a chave e a sigilosa senha da FT600 para que, caso fosse necessário, pudesse manobrar o carro para conseguir um ângulo mais favorável para as fotos e os vídeos.

Dito e feito, aproveitei aquela posição, onde havia parado a primeira vez e é claro, para trazer mais qualidade a vocês, fui manobrar o RX7 para fotografá-lo em uma posição diferente. Entro no carro, giro a chave, o display já pede a senha, digito os seis dígitos e o carro liga. Ali eu me sentia no Controle 1 do PlayStation, jogando Gran Turismo. A marcha lenta em 1800, 2000RPM, qualquer aceleradinha já pula pra 3000, 3500, aquele ronco característico deste motor. Me atrevo a baixar o freio de mão do carro, para conduzi-lo até alguns metros a diante e iniciar o processo de manobra.

Analisando tudo, procurando curtir o máximo aquela manobrada, em uma oportunidade que talvez poucos teriam, ergo os olhos e vejo a reta oposta inteira a disposição. Primeira engatada, andando a uns 10km/h penso: “Vou dar só uma esticadinha e volto de ré mesmo, só pra sentir como é acelerar isso aqui, 100% TPS o giro sobe como um tiro, a FT600 indica SHIFT e aí já não podia responder mais pelos meus atos, tentar ser racional, mas a segunda já estava no gatilho. Fui obrigado a soltar a embreagem e acelerar de novo, o mesmo aconteceu com a terceira marcha.

Bem, matei minha vontade, mas ainda restava retornar o carro ao ponto de partida e terminar as fotos, para que não notassem tentei voltar um pouco mais rápido em relação a ida, curtindo mais alguns segundos estar na “boleia” de um rotativo preparado.

Posso dizer que a sensação é única, bem diferente dos carros que já tive a oportunidade de acelerar. Já acelerei Opala, Gol, Civic Si até mesmo um Dragster, e nada se compara a sensação de acelerar um rotativo. Na minha mente ficou uma pegada muito forte bem cedo, porém crescente. Parecendo que quanto mais girasse mais força teria, mais torque, enfim. Algo que todos os amantes de carros preparados deveriam experimentar um dia.

Aproveito para agradecer e me desculpar publicamente ao estimado Anderson Dick, já que até então estes momentos eram mantidos sob sigilo, mas foram fundamentais para poder registrar e descrever o quão incrível é esta mecânica.

O carro está passando por alguns Upgrades, para subir dos 420 para superar os 600cv na roda, receberá novo turbo para que consiga empurrar mais pressão, novos injetores e alguns outros equipamentos para continuar encantando, tanto o ilustre proprietário como todos os que acompanham e admiram este belíssimo Mazda RX7.

Anderson! Depois de pronto, será um prazer fotografar novamente, combinado?

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