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Preparação sem fronteiras

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Não existe fronteira para a tecnologia
Nem para os preparadores brasileiros!

Por: Alex Glaser com Juninho “RACETECH”

A tecnologia até demorou um pouco para chegar dentro do mundo da arrancada, mas depois que se firmou, não parou mais de avançar. Podemos dizer que a tecnologia bate recordes junto com os carros a cada ano que passa. O que antes era impensável, agora é realidade. E muito em breve será antiquado!

E hoje vamos falar um pouco sobre o que antes era considerado coisa de F1: acerto de carros a distância: o preparador, em sua oficina ou até em sua casa, consegue acertar ou fazer ajustes de um carro localizado em qualquer lugar. Até em outro país! E sim, quem está fazendo isso é um preparador brasileiro, de 33 anos: José F. dos Santos Junior, mais conhecido como Juninho da Racetech.

Sem fronteiras
Juninho já é bem conhecido na arrancada, pois começou a trabalhar diretamente com carros de competição com sua equipe própria em 2003. Ele mesmo conta: “Antes disso fazia carros meus e de alguns amigos por hobby. Sempre fui um apaixonado por carros, acredito que quem trabalha nesse meio já nasce com isso, pois não é uma carreira a se escolher, e sim algo que se torna impossível de não fazer. Tive envolvimentos quando criança mas nada muito forte, apenas acompanhando por televisão e revistas, mas na primeira vez que fui em Interlagos assistir uma Prova de Arrancada já soube que uma hora estaria completamente envolvido com isso”, afirma.

Juninho fala um pouco do seu trabalho: “Trabalhamos na maioria das vezes com carros de arrancada, porém temos uma clientela muito grande de carros preparados para rua. Estamos focando bastante em projetos de rua completo para que o cliente deixe seu carro original aqui e saia com um desenvolvimento por completo, desde toda parte de mecânica, suspensão, eletrônica e etc. Esse é o objetivo da Racetech”.

O preparador explica como começou a acertar carros a distância: “A parte de mapeamento de injeção eletrônica a distância foi algo que achei muito interessante, não fui o primeiro a usar, mas sei que não são muitas pessoas que fazem isso hoje no Brasil. É algo muito interessante no mundo que vivemos hoje, que é pura tecnologia. Preciso apenas que o dono do carro tenha o programa instalado em seu computador (TeamViewer), que possibilita acessar de onde eu estiver ao computador dele, desde que ambos estejam conectados a internet. O acerto pode ser feito com o carro em um dinamômetro ou na rua mesmo, caso o dono do carro não tenha acesso a dinamômetro. Primeiramente conectado ao computador dele faço um mapeamento básico e mesmo com o carro em movimento posso ir alterando o mapa em tempo real, ou fazer um logger (gravar uma puxada) e depois alterar as configurações necessárias. O dono do carro tem que ter também instalado em seu computador o software referente a injeção utilizada”, explica.

Alguma semelhança com a telemetria utilizada nos carros de F1? Juninho explica: “Podemos dizer sim que seja parecido com a telemetria utilizada na F1 e em outras categorias, pois desde que conectado podemos analisar todos os parâmetros e ainda alterar qualquer configuração”. E ele continua explicando: “ Qualquer módulo que seja de injeção programável pode ser feito esse serviço, só não conseguimos fazer em módulos “blindados” dos tipos MI e similares. Hoje 90% dos módulos que costumo trabalhar são Injepro e Fueltech, mas da para ser feito em outros módulos nacionais e até nos importados como Haltech, Motec, Hondata, etc”.

Lógico que além do conhecimento técnico profundo, é necessário ter muita sensibilidade e atenção aos dados, já que é tudo feito a distância. Juninho explica que a maior dificuldade é não “sentir” o carro. “A maior dificuldade de utilizar esse sistema é que eu estando a frente apenas no notebook não tenho aquele sentimento real de quando estamos sentado no carro ou até mesmo vendo ele na pista. Faz muita falta ouvir o barulho do motor, sentir como está o desempenho e até em um caso de acerto com o carro em pista, não ver como foi uma largada. Mas por outro lado fico mais focado nos dados reais do motor, como sonda, pressão de combustível e outros fatores importantes para um acerto correto. Uma das grandes vantagens acaba sendo o custo para o cliente, pois se um cliente de outro estado, por exemplo, quiser o meu serviço, vai acabar tendo um custo muito grande com transporte do carro até a oficina ou até custo de uma viagem minha até o local”.

É um caminho que muitos deverão trilhar muito em breve, como explica o preparador: “Já fiz carros de vários lugares, carros em outros Estados e até fora do país. Tenho bastante cliente na Bolívia, pois já fui até lá uma fez, já tenho mais carros de lá para fazer. Fiz um Honda lá que na última prova de arrancada bateu o Recorde Nacional e baixou mais de 4 décimos do melhor tempo dele, depois do meu ajuste. Tenho clientes no Uruguai, nordeste e norte do Brasil, todos já agendados. Podemos fazer carros de qualquer lugar do mundo, basta apenas ter os itens necessários. Sem dúvida é algo que em breve passará a ser muito usado”, afirma.

Juninho ainda conta um pouco das diferenças entre a Bolívia e o Brasil, no mundo da preparação:

“Como sempre falo, todos estão em busca do mesmo propósito, carros mais fortes e rápidos e fazendo tempos menores. Porém cada um tem acesso a um tipo de tecnologia, o que sinto em alguns países da América do Sul como Uruguai e Bolívia, principalmente, é a falta de mão de obra especializada. Poucas pessoas sabem montar um carro, instalar uma eletrônica e principalmente mapear ela. Porém cada um faz o carro com o que tem de acesso. Na Bolívia os tempos são muito diferentes, pois não existem ainda carros com nível de preparação como o nosso, e principalmente, pistas. Lá não existe tratamento de pista, cronometragem com parciais, etc. Mas aos poucos eles estão evoluindo, e tento sempre passar um pouco do nosso conhecimento para que eles evoluam também. Agora, o mais legal é que nos dias de hoje, países como o próprio Estados Unidos estão começando a procurar tunners brasileiros, e eu acredito que é pela nossa dedicação que temos nos carros. Somos completamente apaixonados por carros”, finaliza Juninho.

Gostou da matéria? Quer conhecer a oficina? Manda um e-mail para eles: juninhoracetech@gmail.com

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